sobre corpo e autoestima

Desde a época que eu tinha blog de moda e comecei a fotografar meus looks eu comecei a escutar que “ah, em você tudo fica bom, você é magra” e desde aquela época (há sei la uns 10 anos atrás) em que nem se falava tanto em autoestima, isso já me incomodava. Aliás, antes mesmo de eu fazer pós graduação ou qualquer outro curso na área de moda eu já escutava isso porque sempre gostei de me vestir um pouco diferente do “normal” e aparentemente isso só era possível por ser magra.

Acontece que, pra começar, “técnicamente” nem tudo fica bom em quem é magra. Tem várias roupas que eu acho lindas mas não gosto e mim e sei que é por causa do corte, do tecido, do corte, enfim. Nem todo mundo gosta de ser magra – eu sempre detestei e tentava disfarçar isso. No meu trabalho já tive que atender várias mulheres incomodadas porque queriam disfarçar pouco busto/muito busto, pouca bunda/muita bunda, perna fina/perna grossa… e a lista não acaba!

A consultoria de imagem está totalmente ligada a essas questões já que utiliza técnicas de ilusão de ótica para “aumentar” ou “diminuir” visualmente alguma área do corpo. Mas a grande questão aqui é que: até quem tá dentro do padrão tá incomodada. Não vou entrar em parâmetros de gordofobia, racismo – existem muuuuitas questões maiores e não estou ignorando-as de forma alguma – mas o meu ponto aqui é baseado no que vejo entre as mulheres que me procuram: NINGUÉM ESTÁ SATISFEITA. NUNCA. Eu já trabalhei com modelos maravilhosas e “perfeitas” e elas sempre queriam emagrecer ou fazer algum procedimento estético!

Eu recomendo muito o documentário “Embrace”, que fala sobre corpo mas também discute sobre como nós somos bombardeadas por revistas com mulheres photoshopadas e em um padrão de beleza que não existe nem nessas mulheres que consideramos perfeitas! Afinal, tudo é uma questão do melhor ângulo e de esconder qualquer tipo de “imperfeição” deixada na imagem.

E tem mais, existe todo esse movimento mais recente de “beleza natural” que na verdade é baseado em uma série de tratamentos estéticos (sobrancelha, cílios, unhas, botox, laser, tratamentos capilares) que te proporcionam uma liberdade de sair sem maquiagem mas baseado em tratamentos previamente programados para criar uma beleza que não é natural! Então a gente tem que tomar muito cuidado com essa beleza natural compartilhada na internet que na verdade está cheia de filtros e procedimentos que de natural não têm nada.

E a quantidade de  perfis no Instagram de clínicas, profissionais, blogueiras e até nossas amigas que nós seguimos e nos influenciam a desejar coisas que a princípio nem nos incomodavam?! Já falei sobre isso nos stories (já me segue? @nayaratognere), muitas vezes nós criamos neuras nas nossas amigas de coisas que nem as incomodam – eu mesma compartilhei minha experiência sobre as rugas que eu mesma nunca tinha notado até uma “amiga” apontar. Vamos parar de julgar os corpos de outras mulheres. Tudo bem querer mudar uma coisa ou outra (se for possível) mas faz muito bem aceitar conviver bem com a gente, afinal a única pessoa que vai estar com você pra sempre é você mesma!

Enfim… ninguém está imune, mesmo as mulheres consideradas lindas tem suas questões com aparência. E tudo bem querer mudar algo, disfarçar alguma característica (isso tá ligado de forma direta ao meu trabalho). O problema é quando isso parte do outro e não de você e, principalmente, quando atrapalha a sua vida e faz você deixar de usar ou fazer algo que ama por causa da sua aparência. Então, como eu sempre digo pras minhas clientes, vamos nos olhar de verdade, com carinho e pensar o que de fato na nossa aparência incomoda e o que é só coisa da nossa cabeça influenciada por conteúdo que consumimos?

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